EUA ampliam importação de carne bovina para tentar conter preços; medida gera reação de pecuaristas

Governo Trump liberou uma cota adicional de até 300 mil toneladas de carne bovina sem a tarifa adicional durante 90 dias; Brasil pode ganhar espaço no mercado americano

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9/4/20263 min read

O mercado de carne bovina dos Estados Unidos entrou no centro de uma nova disputa entre consumidores, governo e pecuaristas. Diante dos preços elevados da carne no país e da redução do rebanho americano, o governo de Donald Trump decidiu ampliar temporariamente as importações para aumentar a oferta e tentar pressionar os preços para baixo.

A medida começou a valer em 1º de setembro e prevê a entrada de até 300 mil toneladas de carne bovina ao longo de 90 dias, sendo até 100 mil toneladas por mês. O produto deverá ser destinado à produção de carne moída nos Estados Unidos.

Por que os EUA estão importando mais carne?

O principal problema é a redução do rebanho bovino americano.

Segundo dados divulgados pelo governo dos EUA, o país chegou a aproximadamente 86,2 milhões de cabeças de gado em janeiro de 2026, o menor nível em décadas. A combinação de períodos de seca, incêndios, custos de produção e dificuldades no abastecimento contribuiu para reduzir a oferta doméstica.

Com menos animais disponíveis para abate, a oferta de carne ficou pressionada enquanto a demanda dos consumidores permaneceu elevada.

O resultado foi uma forte valorização da carne bovina. A Casa Branca informou que o preço médio da carne moída chegou a US$ 6,69 por libra em dezembro de 2025, o maior valor registrado desde o início da série acompanhada pelo governo.

E o Brasil entra nessa história?

O Brasil aparece como um dos potenciais beneficiados pela abertura adicional do mercado americano.

As exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos já vinham crescendo. Em julho, os americanos aumentaram em 105,8% o volume comprado do Brasil, enquanto o valor das exportações brasileiras para o país também avançou. O preço médio da carne brasileira enviada aos EUA chegou a US$ 6.141 por tonelada, segundo levantamento divulgado pelo setor.

Com a entrada em vigor da nova política americana, os exportadores brasileiros podem ganhar competitividade caso consigam ocupar parte da cota adicional.

Dados de mercado também apontaram queda nos preços de oferta da carne brasileira destinada aos EUA no início do período de importação sem a tarifa adicional.

Pecuaristas americanos reagem

A decisão, entretanto, não foi recebida de forma positiva por todos.

Parte dos pecuaristas americanos afirma que o aumento das importações pode prejudicar produtores que já enfrentam dificuldades para reconstruir seus rebanhos. Organizações do setor questionam se a medida realmente será suficiente para reduzir os preços nos supermercados sem pressionar ainda mais a produção doméstica.

O debate ganhou força porque a reconstrução do rebanho americano não acontece rapidamente. Mesmo com preços elevados, aumentar significativamente a quantidade de animais disponíveis para abate pode levar anos.

Trump tenta equilibrar duas pressões

A decisão coloca o governo americano diante de um dilema.

De um lado, os consumidores querem carne mais barata. De outro, os pecuaristas querem proteção para a produção nacional.

A administração Trump argumenta que aumentar temporariamente a oferta pode aliviar os preços enquanto o setor americano trabalha para recuperar sua capacidade produtiva.

O Departamento de Agricultura dos EUA também revisou para cima suas projeções de importação de carne bovina para 2026 e 2027, diante das perspectivas de oferta mais apertada.

O que pode acontecer com a carne brasileira?

A nova política americana pode representar uma oportunidade importante para o agronegócio brasileiro.

Caso o Brasil tenha acesso efetivo à parcela da nova cota, frigoríficos brasileiros poderão aumentar suas vendas para um dos maiores mercados consumidores de carne bovina do mundo.

Ao mesmo tempo, o aumento da demanda americana pode elevar a disputa internacional pela carne brasileira e influenciar preços internos, dependendo do volume exportado e do comportamento de outros grandes compradores.

O que está em jogo

A questão agora é saber se o aumento temporário das importações será suficiente para reduzir o preço da carne para o consumidor americano sem provocar efeitos negativos sobre os pecuaristas.

O governo Trump aposta no aumento da oferta. Os produtores americanos, por outro lado, temem perder espaço justamente quando tentam reconstruir o rebanho.

Enquanto isso, o Brasil aparece como um dos países que podem se beneficiar da maior abertura do mercado americano.

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