Flávio Bolsonaro ganha força no Polymarket e reduz distância para Lula na corrida presidencial

Mercado de previsões registra forte avanço do senador, em meio a pesquisas que apontam uma disputa cada vez mais acirrada para as eleições de 2026

TECNOLOGIA & MERCADOPOLÍTICA

9/10/20264 min read

O cenário eleitoral brasileiro ganhou um novo elemento de atenção nesta semana. O senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentou forte crescimento no Polymarket, mercado internacional de previsões, e chegou a reduzir para poucos pontos percentuais a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas estimativas de vitória para a eleição presidencial de 2026.

Os dados mais recentes disponíveis na plataforma indicam Lula na faixa de 52% a 53%, enquanto Flávio aparece próximo de 46% a 47%, dependendo do momento da consulta. O mercado já movimentou aproximadamente US$ 146 milhões no contrato relacionado à eleição presidencial brasileira.

Crescimento acelerado

A evolução representa uma mudança significativa em relação aos meses anteriores.

Segundo levantamento publicado pelo Bahia Notícias, Lula chegou a registrar 67% de probabilidade no Polymarket em julho, enquanto Flávio chegou a aparecer com apenas 22%. Naquele momento, a diferença entre os dois candidatos era muito maior.

Em setembro, entretanto, a distância havia despencado para aproximadamente seis pontos percentuais, com Lula em 53% e Flávio em 47%.

O próprio histórico do mercado mostra que Flávio passou por movimentos expressivos de alta após acontecimentos relacionados à sua candidatura e à consolidação de seu nome como candidato do PL.

Polymarket não é pesquisa eleitoral

Apesar da repercussão, é importante fazer uma distinção.

O Polymarket não realiza uma pesquisa de intenção de voto. A plataforma funciona como um mercado de previsões, no qual participantes negociam posições relacionadas a eventos futuros.

Na prática, os percentuais apresentados refletem os preços negociados pelos participantes e representam uma probabilidade implícita atribuída pelo mercado ao resultado.

Isso significa que um candidato aparecer com 47% no Polymarket não significa que 47% dos brasileiros pretendem votar nele.

A própria plataforma explica que os preços representam o consenso em tempo real dos participantes do mercado.

Pesquisas também mostram disputa mais apertada

O avanço de Flávio no Polymarket ocorre simultaneamente a uma série de pesquisas eleitorais que apontam para uma disputa mais competitiva entre ele e Lula.

Em levantamento Nexus/BTG divulgado em 8 de setembro, Flávio apareceu com 46% contra 45% de Lula em um cenário de segundo turno. A diferença está dentro da margem de erro, caracterizando empate técnico.

Já o Datafolha divulgado em 3 de setembro mostrou Lula com 46% e Flávio com 44% em uma simulação de segundo turno.

Na pesquisa Quaest, os dois aparecem empatados em 41% a 41% em determinado cenário de segundo turno.

Ou seja, embora os números variem entre os institutos, existe uma tendência comum de redução da vantagem de Lula e aproximação de Flávio.

Primeiro turno ainda apresenta cenário diferente

No primeiro turno, entretanto, Lula continua aparecendo à frente na maioria dos levantamentos.

A pesquisa Futura/Apex divulgada em 3 de setembro registrou 38,7% para Lula e 33,6% para Flávio Bolsonaro, com Augusto Cury em terceiro, com 9,9%.

No levantamento BTG/Nexus, Lula também aparece à frente no primeiro turno, com 39%, contra 35% de Flávio.

A diferença diminui consideravelmente quando são considerados apenas os cenários de segundo turno.

Fortalecimento político de Flávio

O crescimento também acontece em um momento de maior exposição da candidatura de Flávio Bolsonaro.

O senador foi confirmado pelo PL como candidato à Presidência e passou a concentrar o apoio de uma parcela significativa do campo político associado ao bolsonarismo.

No feriado de 7 de setembro, milhares de pessoas participaram de manifestações em São Paulo em apoio à candidatura de Flávio. Segundo a Reuters, cerca de 28,5 mil pessoas participaram do ato na capital paulista.

Paralelamente, levantamentos sobre presença digital também registraram crescimento do candidato. Segundo dados do Índice Datrix, divulgados pela Folha de S.Paulo, Flávio alcançou em agosto seu melhor desempenho digital desde o início da série, com 46,08 pontos, contra 35,88 de Lula.

O que explica a mudança?

A movimentação ocorre em meio a um cenário político de alta volatilidade.

Entre os fatores que podem influenciar as expectativas estão:

  • aproximação entre Lula e Flávio nas pesquisas;

  • consolidação da candidatura de Flávio pelo PL;

  • maior mobilização do eleitorado de direita;

  • aumento da exposição digital do senador;

  • debates envolvendo o STF e o governo federal;

  • repercussões envolvendo a Polícia Federal;

  • mudanças nas expectativas econômicas;

  • aproximação das eleições de outubro.

A campanha também ocorre em um ambiente de forte polarização política, o que aumenta a sensibilidade dos mercados de previsão a novos acontecimentos.

Uma disputa ainda aberta

Apesar do crescimento de Flávio, os dados disponíveis não indicam uma liderança consolidada do senador no Polymarket neste momento.

Na consulta mais recente disponível, Lula ainda aparece à frente, com aproximadamente 52% a 53%, contra 46% a 47% de Flávio.

O que chama atenção é justamente a velocidade da mudança: em poucas semanas, a vantagem que chegou a dezenas de pontos foi reduzida para uma diferença de apenas alguns pontos percentuais.

Com a eleição marcada para 4 de outubro de 2026, novas pesquisas, debates, acontecimentos políticos e movimentações de campanha ainda podem alterar significativamente tanto as pesquisas tradicionais quanto as expectativas negociadas no Polymarket.

O cenário eleitoral mudou

O crescimento de Flávio Bolsonaro no mercado de previsões não significa que a eleição esteja definida. Entretanto, combinado aos resultados recentes de pesquisas de segundo turno, o movimento reforça uma conclusão: a disputa entre Lula e Flávio se tornou significativamente mais competitiva.

O que meses atrás parecia uma vantagem confortável para o atual presidente agora aparece como uma corrida muito mais apertada, na qual poucos pontos podem separar os dois principais candidatos.

A eleição de 2026 entra, portanto, em uma nova fase — e o mercado de previsões já está refletindo essa mudança.

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