Ministros do STF evitam desfile de 7 de Setembro em meio à crise na Corte

Apenas Edson Fachin, presidente do Supremo, participou da cerimônia na tribuna de honra ao lado de Lula; ausência ocorre em meio ao embate envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça

POLÍTICA

9/7/20263 min read

Brasília — A presença dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no desfile cívico-militar de 7 de Setembro, realizado nesta segunda-feira (7), chamou atenção pela ausência da maior parte dos integrantes da Corte.

O presidente do STF, Edson Fachin, foi o único ministro do Supremo presente na tribuna de honra, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin e dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP).

A ausência dos demais ministros ocorre em um momento de forte tensão interna no Supremo, especialmente após o agravamento do conflito envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.

Crise dentro do Supremo

A crise ganhou força após André Mendonça determinar a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal que reunia mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, os registros passaram a ser analisados no contexto das investigações envolvendo o banco e seus possíveis vínculos com autoridades e instituições públicas.

Após a divulgação do material, Moraes solicitou a investigação de Mendonça, alegando possíveis irregularidades relacionadas à condução das apurações. O episódio provocou um embate público incomum entre integrantes da Corte.

A condução do caso passou a colocar Fachin em uma posição central. O presidente do Supremo deverá avaliar os próximos passos relacionados aos pedidos de investigação e à crise interna.

Moraes não compareceu

Entre os ministros ausentes está Alexandre de Moraes, que havia participado de cerimônias anteriores do 7 de Setembro durante o governo Lula.

Moraes esteve presente no desfile de 2024, ao lado do então presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e de outros integrantes da Corte. Em 2025, porém, o ministro também não participou da cerimônia.

A ausência deste ano ocorre em um contexto político ainda mais sensível, marcado pela repercussão das investigações envolvendo o Banco Master e pelo confronto entre Moraes e Mendonça.

Chefes dos Três Poderes participaram

Apesar da ausência da maioria dos ministros do Supremo, a cerimônia reuniu os chefes dos três Poderes.

Lula acompanhou o desfile na tribuna de autoridades ao lado de Fachin, Alcolumbre e Motta. Também participaram o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros do governo federal.

O desfile teve como tema “Soberania — A força que une o Brasil” e foi organizado em torno de três eixos principais: soberania nacional, enfrentamento à violência contra as mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027.

Lula tenta se manter distante da crise

A crise no STF também passou a representar um desafio político para o governo federal.

Lula afirmou nos últimos dias que os fatos envolvendo o Banco Master devem ser investigados e que as instituições responsáveis precisam apresentar respostas. O presidente também procurou evitar uma associação direta de seu governo com a disputa interna entre os ministros do Supremo.

A situação ocorre às vésperas das eleições de 2026 e em um cenário de crescente polarização política.

Nesta segunda-feira, manifestações de oposição também foram realizadas em diferentes pontos do país, com críticas ao governo Lula e ao STF. Em Brasília e São Paulo, grupos ligados à direita realizaram atos contra o governo e contra Alexandre de Moraes.

Ausência chama atenção em cerimônia tradicional

A presença de ministros do STF na tribuna presidencial durante o 7 de Setembro não é obrigatória, mas a participação de integrantes da Corte já ocorreu em diferentes anos.

Em 2024, por exemplo, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Edson Fachin participaram da cerimônia.

Em 2026, entretanto, Fachin foi o único integrante do Supremo presente na tribuna de honra.

A configuração da cerimônia acabou se tornando mais um elemento de atenção em meio à crise que atualmente divide integrantes da Corte.

Por Estratégia News Brasil

Com informações de CNN Brasil, Agência Brasil, UOL, Poder360 e Congresso em Foco.