Oito anos da facada em Bolsonaro: atentado que mudou a eleição de 2018 e marcou a política brasileira
Em 6 de setembro de 2018, então candidato à Presidência foi atacado durante ato de campanha em Juiz de Fora; oito anos depois, episódio continua associado à trajetória política do ex-presidente
POLÍTICA
9/7/20264 min read


Por Estratégia News Brasil
Há oito anos, em 6 de setembro de 2018, um dos episódios mais marcantes da história política recente do Brasil interrompia a campanha presidencial daquele ano.
O então candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro, à época deputado federal, foi esfaqueado enquanto era carregado por apoiadores durante um ato de campanha no centro de Juiz de Fora, em Minas Gerais.
O ataque foi cometido por Adélio Bispo de Oliveira, que foi preso em flagrante logo após o atentado.
O episódio provocou uma grave emergência médica e alterou completamente a campanha eleitoral de Bolsonaro, que precisou deixar as atividades de rua e permanecer internado durante parte do período eleitoral.
O ataque em Juiz de Fora
Bolsonaro participava de uma atividade de campanha quando foi colocado nos ombros por apoiadores. Em meio à multidão, Adélio Bispo se aproximou e atingiu o candidato com uma faca na região abdominal.
O golpe provocou lesões internas e uma hemorragia significativa.
Bolsonaro foi levado para a Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, onde passou por uma cirurgia de emergência. Os médicos precisaram controlar o sangramento, reparar lesões intestinais e realizar uma colostomia temporária.
No dia seguinte, 7 de setembro de 2018, o candidato foi transferido para o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
A gravidade dos ferimentos fez com que Bolsonaro permanecesse afastado dos eventos tradicionais de campanha durante o restante da disputa eleitoral.
Um ataque que mudou a campanha presidencial
Antes da facada, Bolsonaro realizava uma campanha marcada por intensa presença nas ruas e forte mobilização de apoiadores.
Depois do atentado, a estratégia precisou ser modificada.
Internado, Bolsonaro passou a utilizar principalmente vídeos, entrevistas e manifestações divulgadas por seus aliados e pelas redes sociais para se comunicar com o eleitorado.
O episódio também provocou uma onda de repercussão nacional e internacional.
Candidatos que disputavam a Presidência naquele momento condenaram o ataque, assim como autoridades de diferentes setores políticos.
A campanha de 2018 passou, a partir daquele momento, a ser dividida entre o período anterior e posterior ao atentado.
A investigação sobre Adélio Bispo
Adélio Bispo foi preso imediatamente após o ataque.
A Polícia Federal abriu investigação para apurar as circunstâncias do atentado e possíveis envolvidos.
Ao longo dos anos, diferentes hipóteses foram levantadas sobre eventual participação de terceiros, financiamento ou existência de um mandante.
As investigações, porém, não encontraram provas que demonstrassem que Adélio tivesse atuado a mando de outra pessoa.
Em 2020, a Polícia Federal concluiu que ele havia planejado e executado o ataque sozinho. Em 2024, a PF voltou a afirmar essa conclusão após uma nova investigação.
A conclusão oficial das autoridades é, portanto, de que Adélio Bispo foi o único responsável pelo atentado.
Por que Adélio não foi condenado a uma pena convencional?
O caso teve uma particularidade jurídica.
Adélio foi considerado inimputável pela Justiça, após avaliações psiquiátricas apontarem que ele apresentava transtorno mental e não poderia ser responsabilizado criminalmente da mesma maneira que uma pessoa considerada plenamente capaz.
Por isso, em vez de cumprir uma pena convencional, ele permaneceu submetido a medida de segurança em unidade psiquiátrica.
O caso continua sendo acompanhado judicialmente em razão das avaliações periódicas relacionadas à sua situação.
As consequências médicas permaneceram por anos
A facada não terminou com a alta hospitalar.
O atentado deixou consequências físicas que acompanharam Bolsonaro nos anos seguintes.
Desde 2018, o ex-presidente passou por diversas cirurgias e intervenções médicas relacionadas direta ou indiretamente às consequências do ferimento abdominal.
Em janeiro de 2026, por exemplo, reportagens sobre seu histórico médico registravam nove cirurgias e diversos procedimentos realizados desde o atentado.
Uma das consequências conhecidas foi o desenvolvimento de complicações na região abdominal, incluindo uma hérnia que posteriormente precisou ser corrigida cirurgicamente.
O impacto político
O atentado aconteceu pouco mais de um mês antes do primeiro turno das eleições presidenciais de 2018.
Naquele momento, Bolsonaro era uma das principais forças da disputa, mas ainda enfrentava uma campanha que precisava disputar espaço com outros candidatos.
Após a facada, sua presença física nos eventos eleitorais foi drasticamente reduzida.
A campanha passou a depender ainda mais da internet e das redes sociais, onde Bolsonaro já possuía uma base expressiva de apoiadores.
O episódio também fortaleceu a narrativa política construída em torno de sua candidatura e passou a fazer parte da identidade de sua trajetória eleitoral.
Pouco mais de um mês depois do atentado, Bolsonaro venceu o segundo turno da eleição presidencial de 2018 contra Fernando Haddad.
Oito anos depois
Em 6 de setembro de 2026, oito anos após o ataque, o episódio voltou a ser lembrado por familiares e aliados do ex-presidente.
Os filhos de Bolsonaro fizeram publicações nas redes sociais relembrando o atentado e o impacto daquele dia na família.
O senador Flávio Bolsonaro afirmou que o episódio ocorreu justamente na véspera do feriado da Independência e relembrou que estava no hospital no dia 7 de setembro de 2018.
A data também reacendeu discussões sobre a trajetória política de Bolsonaro, sua ascensão à Presidência e os acontecimentos que marcaram sua carreira desde então.
Um dos episódios mais marcantes da política brasileira
Independentemente das posições políticas em torno de Jair Bolsonaro, a facada de 2018 tornou-se um dos episódios mais emblemáticos da política brasileira contemporânea.
O atentado alterou a dinâmica da eleição presidencial daquele ano, interrompeu a campanha presencial de um dos principais candidatos e teve consequências médicas que permaneceram durante anos.
Oito anos depois, o episódio continua sendo lembrado como um dos momentos decisivos da trajetória política do ex-presidente.
6 de setembro de 2018: o ataque em Juiz de Fora.
7 de setembro de 2018: transferência para São Paulo.
28 de outubro de 2018: Bolsonaro é eleito presidente da República.
2020: PF conclui que Adélio agiu sozinho.
2024: nova investigação da PF reafirma que não foram encontradas evidências de participação de terceiros.
6 de setembro de 2026: oito anos do atentado.
Estratégia News Brasil
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Fontes: Poder360, Jovem Pan, CNN Brasil, Agência Brasil e Polícia Federal, conforme informações citadas ao longo da reportagem.
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