Vorcaro diz que sofria maus tratos, tortura e ameaças na prisão, para não delatar
Ex-banqueiro afirmou, em depoimento ao gabinete de André Mendonça, que teria sido pressionado para não revelar informações envolvendo a Polícia Federal em eventual acordo de colaboração premiada
POLÍTICA
9/3/20264 min read


O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, afirmou em depoimento prestado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria sofrido maus-tratos, tortura psicológica e ameaças veladas durante o período em que esteve preso.
Segundo o relato de Vorcaro, as supostas intimidações teriam como objetivo impedir que ele apresentasse informações envolvendo integrantes da Polícia Federal (PF) em uma eventual colaboração premiada. O depoimento foi prestado a um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça e foi gravado em vídeo.
Vorcaro afirma que era pressionado a não delatar
De acordo com informações divulgadas sobre o depoimento, Vorcaro afirmou acreditar que as pressões estariam relacionadas às tentativas de negociação de um acordo de delação premiada.
O ex-banqueiro disse que teria tentado negociar uma colaboração desde sua prisão, em março, mas que as tratativas não avançaram. Em seu relato, ele associou a resistência à possibilidade de apresentar informações envolvendo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Vorcaro também teria relatado situações ocorridas durante sua custódia, incluindo transferência entre unidades prisionais e supostas ameaças relacionadas ao conteúdo que poderia apresentar às autoridades.
Diretor-geral da PF é citado
Durante o depoimento, Vorcaro mencionou o nome de Andrei Rodrigues, atual diretor-geral da Polícia Federal.
Segundo relatos publicados sobre a oitiva, o ex-banqueiro afirmou que agentes teriam feito ameaças relacionadas à possibilidade de ele mencionar Rodrigues em uma eventual delação.
Interlocutores do diretor-geral da PF negam as acusações. Segundo essas pessoas, Rodrigues e Vorcaro teriam se encontrado apenas uma vez, de maneira casual, durante um seminário jurídico realizado em Londres.
Até o momento, não foram apresentadas publicamente provas que confirmem as acusações feitas por Vorcaro.
Depoimento ocorreu sem a presença da Polícia Federal
A oitiva ganhou repercussão também pela forma como foi realizada.
Vorcaro foi ouvido por um juiz auxiliar do gabinete de André Mendonça, com participação do Ministério Público, mas sem a presença da Polícia Federal. O gabinete do ministro afirmou que a audiência foi solicitada pela defesa após alegações de “graves intimidações” e que o procedimento ocorreu dentro das regras processuais.
O conteúdo da audiência permanece sob sigilo.
O episódio provocou questionamentos e aumentou a tensão entre setores da investigação e o gabinete do relator do caso Master.
PGR questiona acusações
A Procuradoria-Geral da República (PGR) analisou o relato apresentado por Vorcaro e, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (3), solicitou o arquivamento da denúncia sobre supostos maus-tratos e intimidações.
O procurador-geral Paulo Gonet teria concluído que o depoimento não apresentou elementos concretos suficientes para justificar a abertura de uma investigação formal sobre as acusações.
A decisão não significa que as alegações deixem de existir no processo, mas indica que, na avaliação da PGR, os elementos apresentados não seriam suficientes para sustentar uma investigação específica sobre os supostos abusos.
PF nega acusações
As acusações também foram contestadas por integrantes da Polícia Federal.
Segundo informações publicadas sobre o caso, agentes da corporação afirmaram que Vorcaro não teria apresentado elementos concretos capazes de comprovar os supostos maus-tratos.
O diretor-geral Andrei Rodrigues também nega qualquer relação irregular com o ex-banqueiro.
O ministro da Justiça também afirmou que eventuais denúncias com elementos mínimos de verossimilhança deverão ser apuradas pela corregedoria da Polícia Federal.
Caso Master segue no centro de disputa institucional
As declarações de Vorcaro ocorrem em meio a uma disputa envolvendo diferentes instituições no caso Banco Master.
O ex-banqueiro está no centro das investigações relacionadas ao banco e passou a apresentar relatos sobre sua prisão, além de manifestar interesse em colaborar com as autoridades.
Ao mesmo tempo, a condução das investigações pelo STF, a atuação da Polícia Federal e as negociações envolvendo uma possível colaboração premiada passaram a ser alvo de intensa disputa política e jurídica.
O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo, confirmou que recebeu o depoimento de Vorcaro e afirmou que a audiência ocorreu a pedido da defesa. O ministro também negou que assuntos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes tenham sido tratados durante a oitiva.
O que se sabe até agora
Vorcaro afirmou ter sofrido maus-tratos e tortura psicológica durante a prisão;
disse ter recebido ameaças veladas para não apresentar determinadas informações em uma possível delação;
citou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em seu relato;
o diretor-geral e integrantes da PF negam as acusações;
o depoimento foi realizado no gabinete de André Mendonça, sem a presença da PF;
houve participação de representante do Ministério Público;
o conteúdo integral da oitiva permanece sob sigilo;
a PGR pediu o arquivamento das acusações de maus-tratos por considerar insuficientes os elementos apresentados para uma investigação formal.
Importante: as alegações de Vorcaro são declarações feitas pelo próprio ex-banqueiro e, até o momento, não constituem prova de que os fatos relatados tenham efetivamente ocorrido.
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